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CodEst Moçambique

Condução Defensiva

   
Capítulo I

CONDUÇÃO DEFENSIVA

O que é a condução defensiva?

01

Noção de condução defensiva

02

A percepção do risco

03

Como reduzir o risco

04

Evitar conflitos

05

A preparação da viagem

 
Subcapítulo 01

Noção de condução defensiva

O trânsito intenso e complexo que se verifica actualmente em muitas ocasiões, quer na estrada, quer em meio urbano, leva a que os motoristas tenham que considerar, além das suas próprias capacidades, também os comportamentos imprevisíveis, irracionais, agressivos e muitas vezes perigosos de outros condutores. 

Para evitar o risco que esse tipo de comportamentos envolve não basta cumprir as regras de trânsito e conduzir com habilidade. É necessário ponderar a possibilidade de encontrar na estrada um daqueles condutores e conseguir prever o que ele pode fazer, ou seja, é preciso saber avaliar o risco e praticar uma condução defensiva, que se baseia essencialmente na capacidade do condutor prever e saber antecipar-se. 

Na realidade os acidentes não são fruto do acaso ou do destino, pelo que é errado pensar que o condutor nada pode fazer para os evitar. O bom condutor deve actuar sempre de forma a colocar em primeiro lugar a preocupação da segurança, praticando uma condução responsável, cuidadosa e contar com os erros dos outros. 

 A condução defensiva é, então, uma atitude adoptada pelo condutor, conduzindo de modo a prevenir acidentes. A prática da condução defensiva depende essencialmente da previsão e da antecipação: a previsão é um factor fundamental na antecipação de um perigo; a capacidade de prever dependente do conhecimento, da experiência e da atenção do condutor.

 
Subcapítulo 02

A percepção do risco

A percepção do risco resulta da ponderação de dois tipos de considerações:

Por um lado, o resultado da avaliação de um conjunto de dados pertinentes como a velocidade, a distância de travagem, o estado da via, a intensidade do tráfego, a potência do veículo, a visibilidade, etc.

Por outro lado, havendo que contar com as intenções e possíveis erros dos outros condutores, a formulação de um juízo quanto ao perigo que essas situações representam para o condutor.

Os condutores profissionais normalmente avaliam melhor o risco do que os não profissionais da mesma idade. Finalmente, esses estudos consideram que os homens têm menor percepção do risco que as mulheres.

 
Subcapítulo 03

Como reduzir o risco

Embora não exista risco zero, a verdade é que o condutor pode sempre influenciar o factor risco através da adopção de comportamentos mais prudentes na condução.

Portanto, para reduzir o risco deve actuar-se de forma a:

Observar o que se passa à volta e analisar o risco: por vezes é difícil determinar com exactidão a gravidade das situações, havendo por isso que adoptar uma atitude de segurança tendo em conta as nossas limitações, as dos restantes condutores e as da envolvente. Importa, assim, saber identificar os objectos e as circunstâncias que na estrada podem representar um perigo potencial: tráfego intenso, obras, mau estado do piso, intenções dos outros condutores.

Para conseguir uma boa observação, além do campo de visão à frente do condutor, é também indispensável observar sempre o que se passa atrás, recorrendo regularmente aos retrovisores e também, antes de qualquer manobra que envolva deslocação lateral do veículo, dar uma olhadela para o lado, para testar o chamado «ângulo morto».

Aprender a perceber o risco: nem sempre é fácil perceber o risco, pois o próprio condutor em muitas situações actua de uma forma pouco consciente.

Contar com os outros: conduzir não é uma actividade solitária, pois as estradas partilham-se com muitos outros motoristas. A forma de conduzir e as manobras que se realizam têm consequências que se repercutem nos outros condutores. 

A entrada inadequada pode, por exemplo, obrigar a travar o automóvel que circula atrás, mas as repercussões podem sentir-se muito mais longe, podendo mesmo provocar colisões entre veículos bastante afastados do local onde se verificou essa entrada inadequada na estrada.

Uma manobra incorrecta pode assim implicar riscos numa ampla área envolvente. Por isso, também antes de entrar num cruzamento, o condutor deve averiguar se tem todas as condições de segurança para poder avançar (actuar sempre de forma a “ver e ser visto”).

Ter capacidade de reacção: nas situações de risco há duas etapas importantes a vencer – a primeira, tem a ver com o tempo necessário para reagir; a segunda, se faltou a capacidade de antecipação, ao obrigar a uma reacção com reflexos rápidos, torna-se já normalmente perigosa. 

Não se deve conduzir nos limites, sob pena de deixarmos de dispor de uma margem de segurança que permita reagir no momento adequado. Por outro lado, em todo este processo há factores como o álcool, drogas, stress, ansiedade ou visão deficiente, que têm uma influência negativa.

 
Subcapítulo 04

Evitar conflitos

Podem evitar-se muitos conflitos recorrendo a algumas práticas que devem ser interiorizadas pelos condutores, destacando-se as seguintes:

1. Saber antecipar-se – equivale a ganhar uns segundos muito importantes, permitindo aumentar o tempo de resposta em situações de perigo que se produzem com grande rapidez. A falta de atenção e de celeridade na resposta adequada, deixa à sorte o sair com êxito destas situações.

2. Não provocar – não são aconselháveis comportamentos que obriguem os outros a realizar manobras perigosas. A maioria dos motoristas conta que os outros cumpram as regras de circulação e, sempre que tal não acontece, surgem reacções imprevistas provocando muitas vezes outras manobras perigosas.

Deve evitar-se todo o tipo de condução que possa provocar a reacção dos outros condutores: conduzir “em cima” do veículo da frente, retomar a mão mal acaba de ultrapassar, obrigando o condutor ultrapassado a abrandar ou mesmo a travar.

3. Conduzir de forma correcta – o que significa respeitar as regras básicas de trânsito, desenvolver acções e tomar decisões correctas e que não tragam perigo para o condutor e para os outros utentes da via. Na condução há que tomar decisões a todo o momento (ultrapassar, ligar os “piscas”, travar, mudar de via de trânsito...) e muitas delas exigem que se decida em função da percepção do risco. Finalmente, recorda-se que os erros do condutor que mais acidentes provocam resultam essencialmente de: 

  • Tomar decisões inadequadas;

  • Verificar o estado e funcionamento de todas as luzes e faróis;

  • Executar manobras de forma errada ou incorrecta.

É por isso que na grande maioria dos casos o acidente se deve, infelizmente, a uma falha humana, provocada por uma acção simples ou combinada de diversas causas, ou factores. 

  • Verificar a pressão e o estado dos pneus;

  • Verificar o estado e funcionamento de todas as luzes e faróis;

  • Proceder à limpeza dos vidros, faróis e restantes luzes;

  • Verificar os níveis do óleo do motor, do líquido de arrefecimento do motor, do líquido de travões e do líquido de lava-vidros;

  • Verificar o nível do electrólito da bateria, quando possível;

  • Verificar o estado das escovas do lava-vidros;

  • Verificar as correias do alternador e da distribuição.

 
Subcapítulo 05

A preparação da viagem

É muito importante planear cuidadosamente as viagens, especialmente quando os trajectos são longos. Assim, antes de viajar o condutor deve ter alguns cuidados que podem contribuir para aumentar a segurança rodoviária, destacando-se: 

Decidir sobre o melhor trajecto, consultando o mapa de estradas e recolhendo informação sobre a eventual existência de obras ou outras limitações de trânsito; 

Evitar sair em horas de ponta e não fixar horas de chegada ao destino, pois em caso de demora o condutor poderia ser levado a cometer imprudências; 

Não iniciar uma viagem longa se estiver cansado ou não tiver dormido bem na noite anterior (o cansaço diminui os reflexos, limita a capacidade de conduzir e pode provocar o sono); 

Perante qualquer sinal de cansaço perturbador da condução deve parar em lugar seguro e descansar.

Para maior comodidade nas viagens deve usar-se roupa ampla e calçado prático ajustado aos pés; 

Não é conveniente comer muito antes de viajar, nem ingerir bebidas alcoólicas, designadamente para evitar a sonolência. A mesma regra deve ser seguida durante a viagem, fazendo sempre refeições ligeiras; 

A bagagem deve ser bem arrumada na mala do automóvel, de forma a evitar a sua deslocação nas curvas ou quando houver que travar, e não se devem colocar objectos junto ao vidro traseiro, pois tiram visibilidade; 

A Carga deve ser bem distribuída.

 
Capítulo II

COMPORTAMENTO DO CONDUTOR DEFENSIVO

Como deve proceder um condutor defensivo?

01

Comportamento do condutor

02

Relativamente ao veículo

 
Subcapítulo 01

Comportamento do condutor

Existem algumas coisas muito simples que todos podemos fazer para aumentar a segurança nas estradas. Se toda a gente utilizasse o cinto de segurança, respeitasse os limites de velocidade e não guiasse depois de beber, poder-se-iam salvar mais de muitas vidas por ano.

Distracção 

Para garantir a sua própria segurança, a da sua carga e a dos outros utentes da estrada, os condutores devem estar permanentemente atentos ao trânsito.

Tipos de distracção 

Há três grandes tipos de distracção:

Visual – os condutores tiram os olhos da estrada, para ver o que se passa as bermas.

Cognitiva – os condutores pensam noutras coisas enquanto conduzem.

Manual – os condutores tiram as mãos do volante.

Fontes de distracção 

Fontes de distracção Os telemóveis e sistemas de posicionamento e navegação por satélite (GPS) são uma das principais causas de distracção. Os GPS deveriam ser instalados de modo a serem facilmente visíveis sem, todavia, interferirem no campo de visão do condutor. Fumar, comer, manipular o rádio ou o leitor de CD são outras causas frequentes de distracção.

Evitar distracções 

A maioria das distracções podem ser evitadas com uma boa organização. Se quiser comer, fumar ou usar o telemóvel, faça-o antes de iniciar a condução. Se tiver absoluta necessidade de atender 10 uma chamada, encoste o carro, se puder, para reduzir os riscos de acidente.

 
Subcapítulo 02

Relativamente ao veículo

Um condutor defensivo deve ter em atenção o estado dos diversos elementos do sistema rodoviário e observar as seguintes recomendações:

Revisões periódicas 

Fazer revisões periódicas à viatura para que ela possa responder com eficiência em situações de emergência. Os defeitos que mais causam acidentes são pneus gastos, falta de travões, problemas na suspensão, lâmpadas queimadas, etc.; 

CodEst: Revisões periódicas

Controlar periodicamente o equilíbrio das rodas e o alinhamento da direcção (de modo geral, a cada 10.000 km ou 15.000 km, ou pelo menos uma vez por ano), sob pena de um desgaste rápido e anormal dos pneus. O equilíbrio é necessário para eliminar eventuais vibrações que provocam desconforto na condução e um desgaste prematuro dos órgãos de suspensão da direcção, dos rolamentos e, principalmente, dos pneus. Um alinhamento incorrecto fará com que a direcção fique mais pesada e haja uma menor estabilidade do veículo, provocando um desgaste anormal e mais rápido dos pneus;

CodEst: Pneus e alinhamento

Os pneus são o elo vital de ligação do carro à estrada. Deve manter os pneus em bom estado de conservação (sem qualquer desgaste anormal no piso, nem cortes ou barrigas laterais) e com a pressão adequada. A pressão deve ser verificada pelo menos a cada 15 dias, com os pneus frios. Nunca se esqueça do pneu sobressalente, verificando também a pressão deste. Pneus de má qualidade ou demasiado gastos podem causar a derrapagem da viatura em piso molhado, ou numa travagem. Os pneus em bom estado e de boa qualidade aumentam a aderência à estrada, poupam combustível e reduzem o ruído e as emissões.

CodEst: Verificação dos travões 

Um dos primeiros testes que deve realizar quando conduz, é testar os travões da viatura. Deve também conhecer o poder de aceleração da sua viatura, para a possibilidade de ter que realizar alguma ultrapassagem, bem como, saber como o veículo se comporta nas curvas.

 
Capítulo III

PREPARAÇÃO DA VIAGEM

Antes de iniciar a viagem.

É bastante frequente ocorrerem acidentes logo no momento do arranque quando, por precipitação, o condutor não cumpre regras básicas de segurança, tais como:

Ajustar o banco de forma a sentir-se em posição confortável

Uma posição de condução correcta é essencial para uma condução segura e fundamental para permitir uma boa observação da via e da sua envolvente, bem como o uso fácil e cómodo dos diversos comandos da viatura.

Assim, a posição mais correcta do condutor é a que corresponde a ficar com a bacia e as costas bem assentes no banco, colocar os pés nos pedais com as pernas ligeiramente flectidas e ficar com os braços ligeiramente flectidos na posição “dez para as duas” quando segura o volante; para isso deve regular a posição do banco e ajustar a posição do volante, sem esquecer de verificar sempre se ficaram bem seguros.

Colocar o cinto de segurança

Antes de começar a viagem, coloque os cintos de segurança (tanto nos bancos da frente, como nos de trás) ajustando-os ao tamanho dos respectivos condutor e passageiros e retirando-lhes as folgas.

Regular os retrovisores laterais e interiores

Regular cuidadosamente os retrovisores laterais e interior, bem como ajustar o cinto de segurança e assegurar-se que todos os passageiros (mesmo os que vão no banco traseiro) o têm também colocado;

Assinalar a manobra de início de marcha

Assinalar adequadamente a manobra de arranque (pisca), olhar pelos retrovisores e arrancar lentamente. Verificar se os painéis de instrumentos da viatura acusam alguma avaria.

 
Capítulo IV

DURANTE A CONDUÇÃO

Dever e responsabilidade durante a condução.

Cumprimento das regras do código da estrada

Cumpra o Código da Estrada e respeite os direitos dos outros na partilha de um espaço comum;

Respeite a sinalização;

Cumpra os limites de velocidade;

Conduza com precaução. Veja e seja visto: não surpreenda os outros utentes nem se deixe surpreender;

Mantenha um estado de alerta permanente, não devendo praticar outras acções enquanto conduz (telefonar, fumar, comer, distrair-se com os comandos do rádio, com crianças ou animais que viajem no veículo, etc.);

Posicione correctamente o veículo na via, circulando sempre o mais à esquerda possível e deixando uma distância de segurança adequada em relação ao veículo da frente, tendo presente os seguintes dados:

VelocidadeCom SolCom Chuva
40 Km/h12,3 m16 m
60 Km/h27,6 m36 m
80 Km/h49,2 m64 m
100 Km/h76,9 m100 m
120 Km/h110,7 m144 m

Adapte a condução e a velocidade à intensidade de trânsito, às condições atmosféricas e às características e ao estado do piso e da viatura;

Modere a velocidade à aproximação de aglomerações de pessoas ou animais, nas descidas de inclinação acentuada, nas curvas, cruzamentos, entroncamentos, rotundas, lombas e outros locais de visibilidade reduzida, nas pontes, túneis e passagens de nível, nos troços de via em mau estado de conservação, molhados, enlameados ou que ofereçam precárias condições de aderência, nos locais assinalados com sinais de perigo, sempre que exista grande intensidade de trânsito;

Sinalize sempre as suas manobras: os condutores devem informar os outros utentes das suas intenções, através de sinalização adequada e com antecedência, para que os tempos de reacção sejam suficientes;

Cuidado com os ângulos mortos: são zonas e pontos sem visibilidade que os condutores não conseguem ver através dos espelhos retrovisores. Olhe sempre que necessário para ambos os lados da sua viatura para se certificar de que não existe nenhum veículo ao seu lado;

Cuidado nos cruzamentos. Ao aproximar-se de um cruzamento reduza a velocidade e olhe com atenção, só depois avance. Não se apresse mesmo que alguém buzine.

Uma das manobras mais perigosas é a ultrapassagem. Ao iniciar esta manobra verifique sempre que não existe já outro veículo a ultrapassar e sinalize a sua manobra com antecedência, indicando aos outros veículos a sua intenção. Tenha atenção à visibilidade, à deslocação do vento, às condições da via e ao veículo que vai ultrapassar, pois sendo ele um veículo pesado, o tempo de ultrapassagem é maior;

Ao ser ultrapassado não se distraia, mantenha a mesma velocidade, facilite a manobra a quem o vai ultrapassar. Muitas vezes, o condutor que tenta fazer a ultrapassagem, vira o carro para a esquerda, fugindo de outro veículo que vem na direcção contrária; portanto, mantenha-se sempre à esquerda, domine a situação e verifique o trânsito no sentido contrário e na sua retaguarda; indique ao outro condutor se há ou não condições de ultrapassagem através de sinais de luzes, reduza a velocidade e aumente a distância do carro da frente para que o outro se possa posicionar correctamente e em seguida voltar à sua mão;

Não páre nas vias rápidas; recorra às áreas de serviço;

Nas estradas com grande inclinação, nas descidas, utilize o motor como travão;

Não praticar outras acções que obriguem a desviar a atenção da condução, tais como, acender um cigarro, fixar o olhar no espelho retrovisor por tempo excessivo, sintonizar o rádio ou regular o sistema de ventilação, limpar manualmente os vidros ou pára-brisas, tentar matar um insecto que tenha entrado na viatura.

Conduza com segurança, pela sua vida e a dos outros motoristas.